Com o fim do casamento, o alívio. O separado recupera sua liberdade. Decidi que vai aproveitar muito o e feriadão que chega.
Depois das brigas, questionamentos e julgamentos, das histerias e infinitas suspeitas entre os dois, encontra-se novamente sozinho para fazer o que quiser. Vem uma alegria de poder sair de noite, barzinhos, aquele amigo que ela não ia muito com a cara..., de não prestar contas e recibos, de viver de uma forma mais relaxada e solta. O separado tem um longo final de semana pela frente. Um delicioso domingo para dormir sozinho e se estirar em linha cruzada pela cama, um delicioso sábado para farrear e beber todas, uma deliciosa sexta para freqüentar a geladeira sem se importar em lavar os pratos em seguida. Tempo de atualizar a agenda e adicionar todo mundo no msn, falar sem parar, tentar entrar no circuito social, apesar dos infinitos anos que o distanciaram da rotina de solteiro.
Quem se separa apenas quer sair do inferno.
Qualquer saída, ainda que desesperada, é uma porção de céu. Os três primeiros dias acontecem de um modo inconsciente e mecânico, em ato reflexo. É um tipo de soltura que lembra férias escolares. Muito bom, mas e depois? Depois o separado entende que sua história não é mais sua, mas partilhada. E sente saudades fisicas, tipo uma dor de rim, entende? E retorna para casa esperando e esperando o outro aparecer de súbito. E observa o telefone como uma tartaruga saindo da casca. Olha ao redor e não identifica mais seu território. Não tem ninguém para conversar, para animar, para contar suas verdades elaboradas. Então, um vazio o empareda num canto. Ele conta com um fantasma intimo ao alcance dos olhos, que pensa que encontrará no café, no shopping, na locadora, depois de enterrada!
É, o separado tem o dom mediúnico de enxergar fantasmas.
Vai então procurar os amigos antigos e constata que estão casados. Os únicos amigos que têm são casais, também amigos em comum do outro. Não da nem pra xingar. Ele pensa se ainda precisa dela; mas como vai expor o segredo? Ele perdeu confidentes e tenta apresentar força e coragem. Não pode voltar atrás, vai ser orgulhoso na marra, vai lhe fazer bem isso, porque não pode voltar atrás. Não quer mais.
Na verdade, voltaria correndo, como um vício, uma necessidade, uma dependência. Sua indecisão amplia ainda mais o isolamento. Deve ser horrível quando se fica em casa com os móveis da residência, jogando na sua cara o convívio, os lençóis que ainda guardam o cheiro dos dois.
Depois do feriado da separação, deve bater mesmo uma tristeza inconsolável. Porque o amor é um dia útil.
domingo, 8 de agosto de 2010
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Nossa! É lindo esse texto!
ResponderExcluirMas não vive bem junto, quem não sabe viver feliz sozinho...
Boa Sorte!