domingo, 6 de junho de 2010

There is a light that never goes out

Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt são protagonistas do filme 500 dias com ela.

No início do filme já somos avisados que este não é um filme de amor. É um filme sobre o amor.

O diretor Marc Webb é conhecido pela produção de clipes (Green Day, Incubus), e acertou em cheio ao revigorar a forma de se narrar uma história “anti-romântica” moderna, usando canções e referências do mundo pop para melhorar a atmosfera e a versatilidade da trama, sem apelar para momentos óbvios ou clichês.

Sou fã deste gênero de filme, principalmente pela mistura de anos 1980 (The Clash, Smiths, Jesus and The Mary Chain, Pil, Joy Division) com músicas e bandas contemporâneas (The Temper Trap, Wolfmother, Spoon, Black Lips).

Existem musicas interessantes que sempre serão o toque final para determinados momentos. Quando conquistamos algo importante, quando estamos caminhando na rua e principalmente quando estamos “fall in love”... Parece que quando estamos vivendo esses belos momentos tudo se renova, tem forte intensidade, mais cores, coisa de pessoas apaixonadas mesmo. Mas quando termina? O que pode acontecer com esse brilho? Desaparecer? E quando a ilusão se torna realidade?
Qual seria a “música” melhor pra expressar o sofrimento de uma fossa? Existem várias, e é isso que Rob Gordon, no filme Alta Fidelidade, acusa ser o veículo soturno que atinge milhares e milhares de pessoas. Eu votaria na música do Led - Since i’ve been loving you; acho que Page e sua guitarra mostram muito bem a dor da fossa e da rejeição...

Outro ponto interessante deste filme é o roteiro (Scott Neustadter e Michael H. Weber). É muito observador no modo de ser de homens e mulheres "modernos". Interessante como, no mundo moderno, um filme como este seja tão correto em observar como os papéis masculinos e femininos estão mudando, e o que se espera de cada gênero.
Nessa análise, os paradigmas de Tom (Joseph Gordon-Levitt) são colocados em xeque e talvez os paradigmas dos que estão assistindo. Existe essa coisa de destino? Será possível acreditar no amor? Ou será que essa cultura pop, que nos rodeia a tanto tempo, está nos fazendo acreditar em um tipo de amor que não existe, não nesta realidade cheia de falhas? ...Eu escuto estas músicas e ainda acredito no Amor!

Acho que muitas pessoas se identificaram com o filme sim, pois todo mundo já levou fora ou deu fora. Magoou sem intenção e também foi magoado...Outra reflexão do filme pode ser um alerta: “o problema sou eu ou ela?”.

Gostei desta conversa entre os personagens:
- Eu acordei um dia, e eu já sabia! (Summer)
- Sabia o quê? (Tom)
- Sabia o que eu nunca tive certeza com você... (Summer)


Snacks com jeitinho Brasileiro

O Pastel, ao contrário do que muitos pensam (eu também pensava) não é de origem Americano "snacks" ou japônes "gyosa", como muitos afirmam; nem dos bolinhos primavera chineses não... Nós, Brasileiros somos um povo criativo. Fato. Então chego a conclusão que o pastel é fruto da criatividade do Brasileiro, associada à nossa diversidade culinária que, só um país tropical com a nossa "malandragem" poderia possuir. Sua massa exclusiva, é a única que possui a cachaça. (mais malandragem que isso...)

O chef Sergio Arno, dono da rede de restaurantes La Pasta Gialla, garante que utilizar cachaça na massa é o segredo para conseguir pasteis sequinhos e crocantes. Esta dica eu peguei no livro "Segredos de Chefs".


Mais uma vez, eu coloco aqui no blog, um prato que dificilmente se come sozinho. Pra mim, pastel combina com turma...e no inverno é muito bom este prato. Confira à seguir, como fazer massa para 20 pastéis.

1º Passo: Separe os ingredientes!
Para fazer cerca de 20 pastéis pequenos, você vai precisar de 150 ml de água gelada, 1/4 de xícara (chá) de óleo de milho, 1 ovo, 3 colheres (sopa) de cachaça e 1/2 kg de farinha.

2º Passo:
Numa tigela, coloque a água gelada, o óleo, o ovo levemente batido e a cachaça. Despeje tudo sobre a farinha e amasse até obter uma massa lisa e homogênea.

3º Passo:
Passe a massa pelo cilindro da máquina de macarrão. Se você fizer com o rolo, cerca de 10 minutos pra deixar a massa no ponto (bem fina). Em seguida, faça tiras retangulares de massa; separe-as com filme de PVC, leve à geladeira e deixe até o dia seguinte.

4º Passo:
No dia seguinte, retire a massa da geladeira e descarte os pedaços de filme. A assa está pronta para ser usada.

Esta versão serve tanto para pastéis doces e salgados.

Fiz hoje no final da tarde pra acompanhar o café em família...Pastel de Nutella! Cortando a massa em quadrados pequenos (10cm x 10cm) e uma colher de nutella. Simples. Dá ainda pra acrescentar banana cortada em pequenas tiras! Aquele esquema do fósforo no óleo e voilá!

Depois de prontos, polvilhar com açucar e canela em pó.

sábado, 5 de junho de 2010

Outside there's a box car waiting

Até que enfim, o SOL!!!

Aqui da cozinha acabamos de conferir o video abaixo. Decidimos que o clipe vale nota 5,5 mas a voz de Meaghan Smith é nota 10!...média 7,7. Page decidiu arredondar para 8! Ok, você Manda Page! Então vai pro blog...

Meaghan é canadense, pertence a uma familia de músicos e começou sua carreira com o primeiro albúm lançado este ano (The Cricket's Orchestra). Este vídeo ela interpreta "Here comes your Man", da banda americana de rock alternativo "Pixies". Esta versão foi feita para o Filme 500 days of summer, que em breve receberá um post dedicado; por hora um preview!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Pra dias como esse... de frio e chuva

It is the springtime of my loving
The second season I am to know
You are the sunlight in my growing
So little warmth I've felt before.
It isn't hard to feel me glowing
I watched the fire that grew so low.

It is the summer of my smiles 
Flee from me Keepers of the Gloom.
Speak to me only with your eyes.
It is to you I give this tune.
Ain't so hard to recognize
These things are clear to all from time to time.

I've felt the coldness of my winter
I never thought YOU would ever go.
I cursed the gloom that set upon us...
But I know that I love you so

These are the seasons of emotion and like the winds they rise and fall
This is the wonder of devotion
I seek the torch we all must hold.
This is the mystery of the quotient 
Upon us all a little rain must fall...It's just a little rain

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Pista falsa no Woodstock Brasil?


Fiquei apreensivo com o que constatei há pouco no site (http://www.pearljam.com/).
O Pearl Jam, banda famosa por suas mensagens enigmáticas,  em vez de entrevistas, havia colocado dois meses atrás, um link para setlist do ano de 1969 em sua página de turnê. Quando você entrava no link não aparecia nenhuma lista de músicas. Até ai ok, pois a banda ainda não existia...mas isso nada mais era que uma pequena pista sobre a participação da banda no Woodstock Brasil 2010.
Mas por que link "Setlist 1969"? - Coincidência ou não, foi também o ano em que aconteceu Woodstock, o maior e mais importante festival de rock de todos os tempos.


Esse lance de deixar pista aconteceu na última passagem deles por aqui (em 2005). A banda deixou o clássico da MPB Garota de Ipanema em streaming no seu site oficial, três meses antes de anunciar que viria mesmo para o Brasil. Logo pensamos que isto poderia ser também o começo de uma nova história do Pearl Jam com nossa terrinha.
Nenhum artista ainda foi fechado para o evento, mas estão cogitados nomes internacionais como Foo Fighters, Bob Dylan, Smashing Pumpkins, Rage Against The Machine, Pearl Jam, Limp Bizkit, Linkin’Park e Green Day.


Seguimos daqui, procurando outras pistas e esperando que o idealizador do evento, Eduardo Fischer nos passe dados concretos sobre quem virá realmente para este projeto de rock no Brasil, à realizar-se no começo de Outubro. O local até agora informado foi Itu, no interior de São Paulo, numa fazenda chamada Maeda.


Bem que poderia também negociar com Living colour, Mudhoney, Ben Harper e porque não com Stone temple Pilots. Scott Weiland, vocal do STP, revelou em entrevista que o Brasil foi o lugar mais louco que ele já tocou, na época, em 2007 com o Velvet Revolver (...e eu estava lá, no show do rio).

Assim que tiver mais notícias, voltaremos pra deixar claro todos estes enigmas!

Aê Bonham, hoje é dia de Airdrums!

Air Drums é a arte de simular uma bateria; um conforto nas pobres mãos sem caixas, pratos, tons e surdos para batucar. E quem já não recorreu à esta arte... Garanto que muitos fãs de led zeppelin e até mesmo quem não gosta da banda (não conheço), já tocou alguma vez rock n' roll ou stairway to heaven!



Um pouco antes deste post, fiz minha sessão Air drums com a música Immigrant Song, pois hoje, dia 31/05, John Bonham estaria completando 62 anos. O baterista do Led Zeppelin, considerado um dos melhores do mundo, faleceu em setembro 1980, após ter ingerido 40 doses cavalares de vodka. Completamente em coma alcoolico, foi posto na cama, na casa de Jimy page, onde faziam um ensaio para a turnê americana que se iniciaria dentro de algumas semanas. Foi encontrado morto na manhã seguinte.

A autópsia concluiu que Bonham morreu asfixiado no próprio vômito. Triste para o rock, pois com sua morte o Led zeppelin acabaria sua trajetória de quase 13 anos de existência, afirmando que não tinha como continuar sem ele...

Led Zeppelin foi formado por Jimmy page. Quando Jimmy chamou Robert Plant para a banda, este indicou John Bonham para a bateria, pois os dois já tocavam juntos na banda Crawling King Snakes. Bonham usava as baquetas mais pesadas e mais compridas disponíveis, a que ele chamava “árvores”. O seu estilo sempre foi pesado, quase destruindo a bateria.
Várias vezes já entramos em discussões sobre o melhor baterista. Com certeza Bonham não era técnico (ele foi autodidata) como outros bateristas a quem ele geralmente é comparado, mas bateria pra mim serve pra meter porrada! Então ele é o melhor nesse quesito. E o som do Led era porrada, era heavy metal. Tenho dito!

Anos atrás saiu uma pesquisa com os 10 melhores bateristas de todos os tempos:

1º Neil Peart, do Rush - Tá bom pra ti Cambira? (amigo com o qual discutimos sempre...rs)
2º John Bonham, do Led Zeppelin
3º Keith Moon, do The Who
4º Mike Portnoy, do Dream Theather
5º Ginger Baker, do Cream;
6º Terry Bozio, do Frank Zappa;
7º Danny Carey, do Tool;
8º Ian Paice, do Deep Purple;
9º Stewart Copeland, do Police;
10º Bill Bruford, do Yes.

Sobre Air Drums, deixo aqui um vídeo mto bom com o Mr. Bean tocando!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Não nos convide pro seu casamento!!!

Ainda estamos no mês das Noivas. Sendo assim, em homenagem a elas, não poderia deixar de disponibilizar esse conto (trágicômico), escrito pelo escritor oficial da nossa turma, Eduardo Mira. Vale dizer que é baseado em fatos reais, porém os nomes são fictícios, a fim de preservar nosso amigo, o noivo...e claro, os meliantes!


AOS NOIVOS COM “CARRINHO”


– Precisavam ter feito isso tudo no carro? Não bastava só amarrar algumas latas no pára-choques? – lamentava-se “seo” Antônio, enquanto lavava o Santana quase zero no quintal de casa.
– Pois é, seu Antônio, acho que o pessoal exagerou um pouco – concordava meio sem jeito Fabrício, que casara na noite anterior com a filha caçula de Antônio, Natália.

Fabrício tinha acabado de entregar o Santana verde-metálico ao sogro. A manhã estava nublada e o casal se preparava para embarcar em lua-de-mel às praias do Nordeste. A noite de núpcias havia sido no Hotel Tannenhoff, um quatro estrelas tradicional de Joinville. Seo Antônio estava radiante com o casamento de Natália e, sem pestanejar, fez questão de emprestar o carro aos noivos para passar a primeira noite em alto estilo. O Santana também serviu pra levar a noiva à igreja. Carro era uma paixão de Antônio desde os tempos de menino e ele cuidava daquele Santana como se fosse um filho. Tinha quatro portas, bancos de couro, trio-elétrico, ar-condicionado, CD player e um motor de duas mil cilindradas com injeção eletrônica multi-ponto. O verde-metálico chamava atenção porque não era um verde qualquer. De gosto duvidoso para uns, afinal lembrava uma mosca-varejeira de tão metalizado e intenso, mas que não passava despercebido.

Para aquele acontecimento, seo Antônio gastara uma semana inteira de sua aposentadoria do Banco do Brasil limpando o Santana. Aspirou, lavou, encerou e limpou todos os cantos do console com cotonetes embebidos em álcool. Os pneus também receberam tratamento especial à base de “pretinho”, um produto vendido em postos de gasolina que realçava a cor preta de qualquer borracha. O estofamento de couro foi cuidadosamente tratado com silicone para ficar com “aquele brilho”.

Natália, a noiva, estava linda, é verdade, mas dentro do Santana do seo Antônio ficou deslumbrante. A catedral joinvilense chegava a refletir naquela lataria impecável e brilhante. Após a cerimônia, todos os convidados puderam ver que beleza de carro era aquele que levava os recém-casados do altar para a festa na Sociedade Harmonia Lira.

Nos salões não se falava noutra coisa. Os convidados cumprimentavam os noivos pelas bodas e o seo Antônio pelo carrão.

Bebedores conhecidos da cidade, os amigos de Fabrício posicionaram-se num lugar estratégico: perto do bar – de onde saíam os garçons – e dos banheiros – no caso de eliminar rapidamente o excesso de cerveja e vinho branco. Élton, como de costume, colocou uma nota de dez reais no bolso de um dos garçons para que ele não deixasse “nenhum copo ficar vazio naquela mesa”. Já era uma atitude ritual. O Élton sempre aplicava essa “gorjeta antecipada”, como gostava de dizer. Os amigos já esperavam isso dele a ponto de escolherem quem seria o agraciado com a propina.

Natália e Fabrício sorriam como nunca. Depois de tanta preparação, a festa não podia dar margens a comentários maldosos de parentes ou “amigos da onça”. A banda Floresta Negra começava a tocar no palco as músicas do momento. Depois das valsas tradicionais, todos pediam alguma coisa mais dançante, inclusive a mesa do Élton – a mais animada da festa.
Apesar de terem migrado da valsa para o pagode, passando pelo axé-music e o rock, os músicos da Floresta Negra – de bermudas verdes, suspensório e com aqueles indefectíveis chapeuzinhos de feltro – não conseguiam se livrar das raízes germânicas.
– Vai descendo no boquinha do garrafa, no boquinha do garrrrafa... – cantavam com aquele forte sotaque colonial.
– E o carro? – perguntou Élton – Precisamos enfeitar o carro! – sugeriu
– Claro, carro de recém-casados sem latinha pendurada e papel higiênico na antena não tem a menor graça - concordou Dalton – Alguém sabe se o Fabrício vai pra lua-de-mel com o carro dele?
– Eu não vi o carro do Fabrício no estacionamento. Acho que eles vão passar a noite no Tannenhoff com o carro do sogro.
– Olha lá o primo da Natália...Ei, Otávio chega aí!
– Com qual carro os noivos vão passar a noite no hotel?
– Com o carro do tio Antônio.
– Beleza, então reúne uma galera aí que nós vamos lá preparar a condução dos noivos...

Em quinze minutos estavam cerca de doze amigos do Fabrício com rolos de papel higiênico, latas e barbantes prontos para transformar o Santana em “Fabriciomóvel”.
Como estava chovendo, o papel higiênico tornara-se uma papa fácil de moldar símbolos fálicos no teto e nas lanternas traseiras do carro. Dalton tentava escrever alguns dizeres com um tubo de Kolynos que pegara na bolsa da namorada, mas com aquela chuva ficava difícil. O Santana já estava quase pronto, com latas, serpentinas, alguns pontos de creme dental e muito papel empapado, mas faltava o tradicional “RECÉM-CASADOS” que estava ilegível naquela lataria super-encerada e molhada.

- Ninguém tem batom, aí? – perguntou Élton apontando em direção à bolsa da namorada, Carla .
- Hãhã, pode esquecer! O meu batom da Helena Rubenstein eu não empresto. Era só o que me faltava... – disse.
- Alguém se habilita? Batom, por favor... – suplicou Élton.
- Pega esse daqui – ofereceu Lúcia, a namorada do Márcio.

Na mão de Lúcia um batom daqueles vermelhos, fortes, cor de sangue, tão brilhante e metalizado quanto a lataria do Santana do seo Antônio.

- É à prova d’água, daqueles que duram bastante – completou Lúcia
- Perfeito! – sorriu Élton, enquanto lia no frasco do batom a inscrição “24 horas de duração – Water Proof”.

Era tudo o que eles precisavam. Na empolgação, a palavra “recém-casados” foi solenemente ignorada. No lugar, frases como: “vai comê?”, “garanhão”, “trepamóvel” e outras sem nexo algum, revelando o estado etílico dos decoradores do Santana.
Porém, Élton ainda não estava satisfeito. Sobrara um pouco do batom e o capô estava limpinho. Como num reflexo e imprimindo muita força nos punhos, Élton preencheu a tampa do motor de duas mil cilindradas com um “CUZÃO”, bem forte, letras garrafais e um til que devia ter uma camada de um centímetro de batom. Alguns riram muito, outros não entenderam direito o que Élton queria dizer com aquilo. Seria uma ofensa? Uma rusga pessoal não revelada até aquela data?
Não, era apenas um código da turma. Uma maneira até carinhosa que um chamava o outro quando estavam juntos. “Ô Cuzão, abre logo essa cerveja!”, “Vai demorar muito pra se arrumar, seu Cuzão.” Era mais ou menos assim que eles se tratavam, sempre. Não era só “cuzão”. “Demonho” e “degraçado” – assim mesmo sem o “s”. Eram formas de tratamento pessoal muito particulares da turma do Fabrício. Coisa de jovem...

- Pronto, agora tá bom! – disse Élton com dois tapinhas no teto do Santana.

Com a saída “à francesa” dos noivos, seo Antônio nem pôde se despedir da filha e do carro. Na verdade, estava tão feliz e embriagado que até tinha esquecido do Santana-varejeira. Isso, é claro, até por volta das 10 da manhã. Nem bem tinha terminado o desjejum daquele domingo, seo Antônio pitava um cachimbo na varanda da casa quando viu chegar algo parecido com o seu Santana. Quando reconheceu Fabrício em meio aos restos de papel higiênico úmido colados no pára-brisa, não quis acreditar. Ele queria mutilar, talvez até matar, o Fabrício.
Como ele pôde ter permitido que fizessem isso no Santana? Porque ninguém me avisou a tempo? – pensava incrédulo.
Seo Antônio se sentiu traído pelos seus sobrinhos que – achou – deviam ter ajudado a cometer aquele crime. E também imaginou que o trabalho teve participação dos amigos do Fabrício. “Aqueles folgados que tomaram toda a minha cerveja da geladeira na festa de noivado”.

Com um sorriso amarelo, Fabrício entregou as chaves do Santana e disse sem muita convicção:
- Taí a caranga, seo Antônio. Meio sujinho, mas inteiro.

Enquanto Natália entrava em casa para pegar as malas e falar com a mãe, dona Isaura, Fabrício ficou encostado no muro do quintal, totalmente constrangido e assistindo ao sogro tentando sem sucesso tirar o batom 24 horas à prova d’água que manchou o verde-metálico do seu Santana e, pelo jeito, só sairia com um polimento.
Seo Antônio repetia raivoso sem parar:
– E esse CUZÃO que não quer sair de cima do meu capô...