domingo, 20 de junho de 2010

Ele e as viciadas

Meu nome é Dercy. Gonçalves é a puta que pariu. O pau mais gostoso é o circuncidado. Toda mulher precisa chamar a atenção de alguma forma. A forma da bunda, dos seios, do abdômen. Eu queria ser reconhecida pela forma dos pés, então sempre deixo os pés de fora. Mas poucos homens dão valor aos nossos pés, então, por via das dúvidas, dou uma valorizada no resto. Tem mulher que se julga auto-suficiente, eu não, eu preciso de homem. E homem não tem que ser isso, nem aquilo, tem que ser homem. Ser homem é ser homem, só se aprende com uma mulher. Não com duas, nem com três: com uma.

Meu nome é Cleide. Gosto de homens assim-assado. Assim como o Richard Gere e assado lá na minha cama. Sou fogo. Não posso ver um homem bonito que quero logo dar pra ele. Alguns ficam com medo de mim. No início, todos, na verdade. Aí eu vi que homem não dá conta de mulher oferecida demais não. Homem também precisa de preliminar: se você disser “me come” no meio da rua, a maioria broxa. Não, eu nunca disse “me come” no meio da rua. Só na calçada.

Meu nome é Fátima. Gosto mesmo é de mulher. Nada contra homem, eu já tive uma porção, mas mulher que é bicho bom. Com mulher a gente pode ficar horas e horas nas carícias, os homens têm sempre aquela preocupação da coisa cair, não levantar nunca mais, as carícias na maioria das vezes são pura burocracia. Eu gosto é de gozar. E nunca fui muito boa nesse negócio de gozar com penetração. A maioria não é, você sabe. Muitas fingem. Eu não gosto de fingir. Com mulher, gozo bem mais. Tenho uma amiga que diz: “Gozar não é tudo”. Coitada dela. Casou com um idiota do mercado financeiro. Só deve gozar no bidê.

Meu nome é Zenaide. Eu me masturbo às segundas e quartas. Se ninguém me ligar, eu mesma ligo pra mim. Esses celulares novos são bem melhores que os antigos. A gente vai ficando mais exigente, né? Não vejo a hora de ter um I-phone. Uma amiga minha americana falou que é o melhor. Vibra uma barbaridade. Eu tenho medo de ficar viciada. Agora, preciso ligar de cinco a seis vezes pra conseguir falar com ela. Mas quando ela diz “alô”, nossa, aí é que você percebe que a coisa é boa.

Bom, eu sou circuncidado. Achei lindos os pés da Dercy. Quando uma mulher diz “me come”, eu como na hora. Com muitas carícias, porque mulher gosta mesmo é de gozar várias vezes. Eu não me masturbo. Prefiro encontrar uma voluntária. Ah, desculpe, meu nome é Juveninho. Mas meu novo apelido é I-phone.

(Conto de Felipe Brasil)

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