quinta-feira, 17 de junho de 2010

Um passeio por Andaluzia


Rodávamos o museu há mais de duas horas e preparávamos-nos para sair e continuar nosso passeio pela cidade. Achávamos que não havia mais nada para ver lá dentro, mas insisti que não havíamos passado por uma ala no térreo. Ela confiou e fizemos a curva. Enquanto olhava o quadro imediatamente à minha esquerda, acho que era algo espanhol do século passado, juro que não me lembro, logo em seguida ela suspirou, colocando a mão no colo, e me chamou para ver.

Sentei-me no banco em frente e vi. Que coisa mais linda é esta mulher eufórica pela beleza do quadro. Ela olhava para o quadro, depois para mim, para mostrar felicidade e talvez reparar na minha reação. Eu estava perplexo, apaixonado, idiota de admiração, feliz por ter sugerido a curva e de ter o privilégio de viver esse momento. Ela alternou o olhar entre mim e o quadro mais algumas vezes. Eu sorri infantilmente, não consigo também parar de reparar em todos os detalhes da beleza, do sorriso, do corpo quase trêmulo de satisfação e de eu ser o único homem que tenha parado, reparado e vivido isso. Posso me gabar; por mais que ela tenha outros tantos homens na vida – eu é que a vi contemplando algo tão importante. Foi comigo que ela procurou compactuar deslumbre. Não pensei em contar as dezenas de minutos - muitos! - que fiquei naquele banco. Nunca fiquei tão extasiado frente a um quadro, nunca tinha amado tanto uma mulher.

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